23 setembro 2005

Obviamente, não me queria demitir


Caros Paulo e Luís:

Desde que retomei a actividade desportiva regular, deixei de fumar e fui ao médico (por esta ordem) passei a estar doente. Quer dizer, doente não será o termo. Na verdade, excepção feita a alguns fusíveis queimados e ao chocalhar de meia dúzia de parafusos mal apertados na moleirinha, tenho-me sentido regularmente bem. O que acontece é que as análises não andam boas há quase dois anos, curiosamente a tal altura em que fiz a primeira colheita de sangue em décadas.

Nestes dois anos tive um filho e a mãe dele, sempre zelosa da minha saúde e ainda bem, ganhou um argumento imbatível para as discussões em que me torno meio tonto ao defender os prazeres da vida: agora, quando digo que não vou de modo algum deixar de comer do bom por causa do colesterol e que se morrer vou deitado e tal e tal, manda-me explicar isso ao miúdo. Arrasa-me, portanto.

Há poucas semanas, eu e vocês dois criámos a Confraria do Leitão da Bairrada em Lisboa. Os estatutos obrigam à realização de um almoço semanal, salvo motivo de força maior (leia-se outro restaurante), com inclusão de um convidado como quarto elemento para uma ou duas boas conversas.

Ciente dos deveres de sócio fundador e disposto a sacrificar os meus trigliceridos aos altos interesses da Confraria, marcarei presença no almoço de dia 28, há muito agendado. Vejo-me, contudo, obrigado a abdicar da periodicidade semanal do estaladiço.

Ainda assim, não quero terminar esta carta de demissão — que obviamente não queria escrever e vai pontuada a sangue com colesterol e lágrimas com creatinina — sem vos dar conta de que após aturadas negociações com as minhas veias e artérias concordámos numa degustação de leitão por mês.

Sem mais, e depois de vos lembrar que tenho 30 anos e não 86, apresento-vos os melhores cumprimentos, com batata frita fininha às rodelas, molho e salada mista

Alexandre

7 comentários:

Jo disse...

acho muito bem!!!
se passares a comer menos vezes vai-te saber mto melhor!

Alexandre Pereira disse...

Ai, querida, não acredito nessa teoria para este caso... É um bocado como o sexo, topas? Não sabe melhor se for menos vezes. Mas pronto, terá de ser.

innocent bystander disse...

concordo, menos não é mais. Mas inda bem que eu não gosto desse porquinho, livra...

se bem que eu e o ZM puto-maravilha-que-não-gosta-de-queijo já nos fizemos a umas costoletas nãoseiq...

Alexandre Pereira disse...

Grandes amigos tenho eu. Adoro peixe, como bem sabeis, mas convosco a babarem-se de leitão ao lado fica difícil, you know?

Jo disse...

eu só disse o q disse para te fazer sentir melhor...
ele há coisas na vida q nca são demais ;P

Alexandre Pereira disse...

És linda. Obrigado. Olha, relógio biológico? Hum...

Rita disse...

Vá. atirem-me lá com as pedras, vá! Ó pinguim crioulo, vê lá é se me levas ao Lux e deixa-te de merdas.