25 abril 2008

Música em liberdade, ou o 25 de Abril explicado (?) a um fedelho de quatro anos




- Sabes, filho? Hoje é feriado porque há 34 anos uns soldados tiraram uns maus do governo. Esses maus prendiam pessoas por falar, não havia canais de televisão livres, os jornais não escreviam o que queriam, blá blá blá... e não se podia ouvir Zeca Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco. Sabes que o Sérgio até teve de fugir para França para cantar "a paz o pão" [como ele chama à Liberdade]? E esta canção [Grândola a rodar] passou na rádio para os soldados saberem que estava tudo pronto para irem tirar os maus do governo...

- Mas paaaaai, então não posso ouvir os Trovante?!

Claro que pode. Afinal... viva a Liberdade.

17 abril 2008

Parabéns à SIC...

... por ter transmitido, esta quarta-feira, o melhor espectáculo do novo século. Espero que as audiências correspondam ao investimento, mesmo admitindo uns milhares de mudanças de canal precoces. Tipo... antes de verem o melhor golo da noite, o do Vukcevic.

05 abril 2008

Sair é bom, reencontrar ainda melhor

Abre-se a porta, está de noite, e de repente o cheiro. O cheiro desta terra. O cheiro que nos faz sentir em casa longe de casa. O cheiro que parecia esquecido. Falta-me matéria-prima para o descrever. Ainda hoje à tarde me ensinaram que isto são amores-perfeitos, aquilo margaridas, aquilo «bons dias». Agora, quando abri a porta, olhei para as flores no jardim e já não lhes sabia o nome outra vez.

Fica bem nas poesias dizer que cheira a buganvílias, a alecrim, a amores-perfeitos (os amores-perfeitos só podem ter cheiro, pelo nome...).

Não tenho poesias. Só sentidos. E senti o cheiro de Primavera/Verão de São Pedro. O de Inverno é mais parecido com outros, fumos de lareiras e assim. Mas este da estação quente é só daqui. E foi numa estação quente que aqui arribei pela primeira vez. Vai fazer 14 anos.

Vai fazer 14 anos... E eu estou aqui.

02 abril 2008

Sair é sempre bom, de avião ainda melhor

O tempo será pouco, mas vamos lá então ver o que é, como está, o que se passa e o que há em Glasgow além de dois clubes de futebol interessantes.

Até já.

23 março 2008

Irra!

Alguém me explica por que raio o Vukcevic não marca penalties? Foda-se!...

22 março 2008

Parece mentira, mas aconteceu (e há testemunhas)

Quarta-feira fui ao Continente do Colombo. Mais importante ainda: fui ao Colombo buscar os meus óculos de sol de estimação, que tinham tido o azar de uma lente partida e me obrigaram a andar um mês com uns antigos que me faziam parecer... bom, não interessa - interessa, sim, que já munido dos óculos a sério fui ao Continente. No carrinho, além das compras e do filhote, trazia a carteira e - voilà! - os óculos, dentro da sua carteirinha design moderno.

À noite, quando o lombo de porco com castanhas já estufava, recebi um telefonema simpatiquíssimo do Continente Colombo. Que tinha lá deixado uma carteira e uns óculos. Dei graças por ser sócio do hipermercado (presumo que tenham sacado o telefone por aí) e muito maiores e mais graças ao senhor que teve a gentileza de tirar o meu ex-carrinho da fila, ver lá os meus pertences e entregá-los nas informações.

Parece mentira, mas ainda acontece. Com um bónus que eu já nem pedia: sinceramente não me lembrava de quanto dinheiro tinha na carteira, sabia apenas que não era muito. Na hora do resgate (foi aí que soube ter sido um senhor), estavam lá 15 euritos dentro.

É bom poder acreditar na raça humana. Ao dito senhor, se por acaso é internauta e ler isto (pouco provável, mas não menos do que entregar carteira, óculos e dinheiro assim de boa vontade), um grande OBRIGADO. Pelas coisas e pela oportunidade de acreditar.

19 março 2008

Pode ser exagero, mas gostar de música(s) é assim mesmo


O álbum de lançamento desta miúda sportinguista (isto é importante, embora possa não parecer) tem toques de Feist, laivos de Bjork e um cheirinho de nada de Cat Power. Já está a venda e ainda não comprei, bolas...

In www.myspace.com/ritaredshoes

17 março 2008

Filosofias de casa de banho

Desculpem, mas a questão é pertinente. Desde que existem sanitas ouvimos as mulheres queixarem-se de que os homens deixam o tampo para cima depois de mijar. Há inclusivamente rumores de que elas são capazes de separar o mundo entre homens que o fazem e homens que não o fazem. Quando se trata de partilhar casa e casa de banho, claro, que para outras coisas a conversa deve ser diferente...

Bom, a dúvida é a seguinte: por que raio os homens hão-de ter que deixar a casa de banho pronta a usar por elas e não o contrário - ela faz o seu chichizinho e elegantemente deixa o tampo levantado para ele poder usufruir depois?

14 março 2008

Uma pala nos olhos dos governantes

Peço desculpa mas não me lembro do nome do senhor. Decorei que é governante e ouvi-o na rádio, a propósito dos 3 anos de governação Sócrates, dizer qualquer coisa como isto (associação livre de ideias): «Num balanço, se temos coisas boas para assinalar devemos concentrar-nos nelas. Também terá havido coisas menos boas, mas não devemos perder tempo com elas.»

É preciso comentários? Se sim, mandem!

Porque pensar faz bem, paremos um pouco

«Com esta geração que nos governa nem Ceuta teríamos conquistado. Os custos seriam sempre superiores aos proveitos imediatos. Fazia-se um estudo e não se ia»

Miguel Real, autor do livro A Morte de Portugal - escritor, professor, ensaísta, em entrevista à Visão

Trata-se, apenas, da pérola que mais me fez soar campainhas de alarme na consciência quando li a entrevista. Mas seguramente mais de dois terços das afirmações polémicas deste senhor fazem-nos pensar. E pensar, mesmo que pouco mais possamos fazer aos dias úteis e não nos sobre tempo nos dias de folga, ainda não paga imposto.

10 março 2008

Eu sei que vais ler

Lisboa, 10 de Março de 2008

Olá.

O teu neto está grande, grande. Esperto, o rapaz, desenrascado. Tem alguns medos e muitas certezas. Gosta de animação e vai ter uma festa logo à tardinha, com amigos dele, amigos dos pais e gente da família, claro. Quatro anos, quatro. Consegues vê-lo da fotografia da sala, não é? Acho que ele não te conhecerá se te encontrar na rua, mas sabe muito bem quem és.

Estive todo o dia à tua espera, ontem. Sim, eu sei - há três anos, há três noves de Março que sei que não podes vir. Mas eu espero, que queres? Espero sempre. A festa, afinal, é tua. Foi tua a dor, tua a alegria, tua a energia. Eu só saí para um mundo nem sempre bonito mas que felizmente tem conseguido ser meu amigo. E como não vens não há festa. Só houve 30 festas. Se calhar chegam. Depois nasce outro dia e chega a outra festa, que também só viste uma vez.

Já sei que não vais aparecer hoje. Por isso te tenho aqui, agora, enovelada no nó que me tapa a garganta. Prometi chorar-te sempre que quiser. Mas nas mais das vezes não consigo. Fica só o nó. E soltam-se os dedos.

Beijo doce, como sempre

Teu filho, Xano

28 fevereiro 2008

Dos cheiros e dos livros

Vamos ao fim da rua, vamos ao fim do Mundo


O meu pai mudou o rádio de sítio por aqueles dias. Queria apanhar «uma rádio nova só de informação» de que ouvira falar. Nesse tempo, captar ondas do éter em Queluz nem sempre era fácil. Encontrou finalmente um sítio. Era numa divisão comum do apartamento que fazia ao mesmo tempo de corredor e hall. Paciência - era ali que se ouvia a TSF, em 102.7.

Ainda pirata mas já tão boa, tão diferente. Lembro que era o tempo do monopólio da TV estatal. Eu era novito, acho que ainda não fazia a barba. Mas sei perfeitamente que o bichinho do jornalismo, nascido sobre páginas de jornal, se alimentou rapidamente daquela nova forma de intervir. Cresceu, desenvolveu-se, jornalista sou hoje.

Como sucede com tudo e todos, não falta quem diga que a TSF «está cada vez pior». Tirando no que respeita ao Benfica, ao Sporting e a meia dúzia de restaurantes, normalmente isto é só vontade de dizer mal e mania de que «no nosso tempo é que era».

20 anos depois eu e o meu pai - hoje no Alentejo com direito a frequência regional - já não precisamos de mudar o rádio de sítio (a não ser, no meu caso, o do despertador, de vez em quando). É tudo automático. Pela parte que me toca, 89.5 continua na posição 1 em casa e no carro.

Parabéns, TSF.

26 fevereiro 2008

O mapa das vertigens

Há as vertigens. Depois há os momentos em que planamos, leves e seguros, momentos em que reconhecemos o que está lá em baixo e gostamos de andar lá em cima, na convicção de uma aterragem feliz.

Depois há outra vez as vertigens. Rápidas, vorazes, alucinantes.

Há as esperanças e os medos. A esperança de já sermos melhores, agora que sabemos mais de nós, e o medo de nunca o conseguirmos ser, agora que continuamos um mistério tão grande.

Há as certezas dos afectos eternos e as incertezas do mapa de nós que dificilmente decifraremos em vida e certamente nos será vedado depois da morte, porque mortos estaremos.

Há o consolo de um abraço, o conforto de uma palavra ou de um silêncio. Há o temor de um abraço, o desconforto das palavras e dos silêncios.

Há uma corda bamba sobre a qual, loucos por nós próprios, até chegamos a correr. Depois há uma estrada firme onde mal nos atrevemos a dar um passo com medo que a terra se abra de repente. Ou se reabra de repente.

Há âncoras às quais nos agarramos e sabemos que não nos deixarão ir ao fundo, por mais que o mar nos açoite. Há ondas que nos levam sem percebermos quando nos enrolaram ou quando já somos só uma parte da espuma que abraça a areia das praias.

Há muito, há tanto! E por haver tanto, por haver muito, há que caminhar. Nadar, flutuar, planar e voar.

Aterraremos todos no mesmo sítio. Já sem olhos, então, para ler o nosso mapa.

20 fevereiro 2008

Amor é...

... reconhecermo-nos numa ou noutra música e, mais do que isso, ouvir o compositor no rádio, dias depois, falar dela - da música - exactamente da forma que a sentimos. Há gente que escreve e canta e nos atravessa os dias. Os bons, os maus, os mais ou menos. Podem estar quietos nas estantes durante meses, mas voltam sempre que é preciso. Não foi a primeira vez que o Godinho me fez a banda sonora. Não terá sido certamente a última. Quem disse que as Noites Passadas não se reinventam?

03 fevereiro 2008

2.º andar A/ 4.º andar B

«... mas tem cuidado,
trata-o bem,
muito bem de mansinho
que ainda agora
vai pisar outro caminho»

Para ti (sabes quem és?)

Que rua tão torta e tão longa, a do amor
Que vento tão forte lá sopra, é o do amor
Por vezes parece uma rua assombrada
Com sombras de bruxa fazendo de fada

Que faço eu na rua deserta do amor
Não há uma só porta aberta pró amor
Por vezes lá se abre uma frincha de nada
Na porta do amor que eu queria escancarada

Sérgio Godinho, «Amores de Marta»

Mais leituras aqui

As cancelas

O domingo é um péssimo dia para tentarmos apanhar os restos de nós que vamos deixando espalhados em casas, nos carros, nos caminhos que fazemos. Esses mesmo - nos quais encontramos tantas cancelas fechadas nas encruzilhadas. As cancelas que abrimos de olhos fechados, a sonhar, e estão presas com ferrolhos quando acordamos. Seja domingo ou segunda-feira.

02 fevereiro 2008

Puuuuuuuxa!



Não era fácil apostar nesta moça quando ela era a Floribella. Mas juro que o fiz, bem como mais dois ou três amigos. A FHM esgotou, diz-me um deles... Cum cacete!

Foto daqui

01 fevereiro 2008

É a vida, já dizia o outro

É espantosa a rapidez com que algumas coisas passam e incrível a lentidão com que algumas coisas não passam. Isto é La Palisse?